Guerra Colonial: Memórias e (Re)encontros

Estava contra a Guerra Colonial, mas ela venceu-me e, por isso, marcou-me compulsivamente.
Obrigou-me a partir e a compartilhar com ela, durante anos, os seus desassossegos .
Cheguei e fiz com ela um concubinato sórdido. Queria tocá-la primeiro, derrotá-la depois.
Fui contra, mas estive por dentro.
Depois jurei, que “à chegada vínhamos todos”, mas não viemos.
Faltaram alguns.
E é por eles, que ainda ouço, o costurar das metralhadoras e os estrondos dos morteiros. É um silvo penetrante que vem ao meu encontro e depois explode. Isso vem de muito longe, de há trinta anos, é o som da memória do tempo e da consciência da história
A espécie de clausura a céu aberto em que vivi, 1546 dias e duas horas, transformou-me noutro homem: escuto muito, falo pouco, rio-me poucas vezes.
Não sei porquê!...

E por não saber porquê, foi tempo de (re)visitar os mitos, os ritos, os medos, os entusiasmos e as raivas que tocavam os meus Cavaleiros do Maiombe. Foi chegada a altura de vasculhar nas gavetas do esquecimento, os papeis e as imagens que deles e de mim fui guardando.
Foi altura de tirar tudo cá para fora: espalhar pelo chão e, do caos, (re)construir a história desses Cavaleiros, feita de grandes e pequenos nadas.
Escrevi então o livro CAVALEIROS DO MAIOMBE, que dedico aos ex- Combatentes da CCAV 3487 e a todos os outros ex-combatentes de Cabinda.
Deixa, pois, aqui o teu contacto, a tua mensagem, o teu desabafo...É preciso desamarrotar memórias e quem sabe programar um grande (re)encontro ou um grande encontro Nacional dos ex-combatentes de Cabinda.
Inácio Nogueira